Uma dente plantada na terra no momento certo, e alguns meses depois, é uma cabeça inteira que sai do solo. O princípio parece quase demasiado simples para ser verdade. No entanto, tudo depende de um detalhe que muitos jardineiros negligenciam: o timing da plantação.
O alho é plantado principalmente no outono, entre outubro e dezembro conforme a região, para aproveitar o frio invernal que desencadeia a formação dos dentes. Cada dente, ou filho, deve ser enterrado com a ponta voltada para cima, a cerca de 3 a 5 cm de profundidade, espaçando as fileiras de 20 cm e os dentes de 10 a 15 cm. É essa exposição ao frio, chamada de vernalização, que impele a planta a dividir seu bulbo em vários dentes em vez de permanecer como uma massa única.
Por que o alho se planta no outono (e às vezes na primavera)
O frio não é um simples detalhe meteorológico para o alho, é um gatilho biológico. Sem um período de dormência suficientemente fresco, a planta não recebe o sinal necessário para formar cabeças bem divididas. É por essa razão que o plantio outonal permanece como referência para a maioria das variedades cultivadas em Portugal, especialmente porque deixar um espaço da horta vazio até a primavera é um erro quando se pode instalar alho lá.
Certas variedades de primavera existem, no entanto, adaptadas às regiões onde o inverno é muito suave ou muito tardio. Elas são plantadas em fevereiro-março, mas geralmente produzem cabeças um pouco menores, por falta de um ciclo de vernalização tão longo. Numa horta clássica, é melhor privilegiar o outono se o clima o permitir.
Alho branco, roxo ou rosa: qual variedade escolher?
As três grandes famílias de alho não se comportam exatamente da mesma forma na terra. O alho branco é o mais comum, rústico e bem adaptado ao plantio outonal clássico. O alho roxo, frequentemente mais aromático, desenvolve uma haste floral que às vezes deve ser cortada para concentrar a energia no bulbo em vez de na flor.
O alho rosa, mais tardio, é geralmente colhido após os outros dois e destaca-se por uma conservação particularmente longa. A escolha depende principalmente do clima local e do uso previsto na cozinha, mas todas essas variedades respondem ao mesmo princípio: quanto melhor a vernalização, maiores e mais bem formadas serão as cabeças.
| Variedade | Período de plantação | Particularidade |
|---|---|---|
| Alho branco | Outubro a dezembro | Rústico, versátil |
| Alho roxo | Outubro a dezembro | Aromático, produz haste floral |
| Alho rosa | Novembro a janeiro | Colheita tardia, longa conservação |
Como plantar alho passo a passo
Preparação dos dentes e do solo
Cada cabeça de alho deve ser separada em dentes pouco antes do plantio, conservando apenas os maiores e mais saudáveis. Os dentes pequenos danificados ou moles devem ser descartados, pois produzirão bulbos fracos. O solo, por sua vez, deve ser solto e sobretudo drenante: o alho detesta a umidade estagnada, que favorece o apodrecimento dos dentes antes mesmo de enraizarem.
Um solo pesado e argiloso pode ser aliviado com areia ou composto bem decomposto, como lembra o que os antigos colocavam no fundo do buraco de plantio em agosto. Numa horta onde a água tende a acumular, um canteiro elevado frequentemente muda completamente o resultado do cultivo.
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Profundidade, espaçamento e orientação
A regra é simples de lembrar: a ponta do dente sempre deve estar voltada para cima, enterrada a uma profundidade de 3 a 5 cm sob a superfície. Um espaçamento de 10 a 15 cm entre cada dente e de 20 cm entre as fileiras deixa espaço suficiente para que cada bulbo se desenvolva sem competição excessiva pelos nutrientes.
Um dente plantado muito perto da superfície corre o risco de ser desenterrado pelo gelo ou pelas chuvas, enquanto um dente enterrado muito profundamente levará mais tempo para sair e enfraquecerá o broto jovem.
O que acontece sob a terra: do dente à cabeça
Uma vez na terra, o dente desenvolve rapidamente raízes e depois entra em dormência durante os meses mais frios. É precisamente esse período de repouso aparente que é decisivo: sob a superfície, o frio age lentamente nos tecidos do dente e prepara a futura divisão do bulbo.
Com o retorno do bom tempo, um broto verde emerge e a planta inicia seu crescimento ativo. É aí que o dente inicial começa verdadeiramente sua transformação, multiplicando-se gradualmente em vários filhos que formarão juntos a cabeça de alho final. Algumas variedades também produzem uma haste floral que contém pequenos bulbos, uma forma de multiplicação aérea às vezes usada para renovar o estoque de sementes.
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Nas variedades de alho roxo principalmente, é aconselhável quebrar a haste floral assim que aparecer. Isso evita que a planta disperse sua energia na flor em vez de concentrá-la na formação do bulbo subterrâneo.
Colheita e conservação para cabeças inteiras
O sinal de colheita é visual: quando as folhas começam a ficar amarelas e a deitar-se, geralmente em junho ou julho conforme a variedade e a região, é hora de arrancar as cabeças. Um amarelecimento parcial, com ainda algumas folhas verdes, é ideal: esperar um ressecamento completo fragiliza os invólucros protetores dos dentes.
Após a colheita, as cabeças devem secar vários dias num local arejado e protegido do sol direto antes de serem armazenadas. Uma boa conservação passa por um local seco, fresco e ventilado, onde as cabeças podem se manter vários meses sem germinar nem mofar.
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Os erros a evitar para cabeças bem formadas
A tentação de arrancar o alho muito cedo, assim que as primeiras folhas ficam ligeiramente amarelas, é frequente mas contraproducente. Uma colheita antecipada dá cabeças ainda mal formadas, com dentes pouco desenvolvidos e uma conservação medíocre. É melhor esperar até o estágio certo de amarelecimento do que ceder à impaciência.
Os outros erros clássicos dizem respeito principalmente ao solo muito úmido, um espaçamento insuficiente que faminto as plantas entre elas, e o uso de dentes provenientes do comércio alimentar em vez de sementes dedicadas à horta. Estas últimas às vezes são tratadas contra a germinação, o que compromete diretamente o cultivo.





